Contabilidade para franquias: estratégia de sucesso

A saúde financeira de um negócio é uma preocupação de todo empreendedor. Afinal, ela diz muito de como anda a empresa e do que precisa ser feito para que ela obtenha a rentabilidade esperada. E nesse ponto a contabilidade para franquias tem uma importância fundamental. Quando o assunto são as franquias, a responsabilidade do contador se torna ainda maior.

Isso porque esse tipo de negócio possui algumas especificidades que exigem um tipo de contabilidade mais complexo do que as outras empresas. De maneira geral, as franquias têm que lidar com aspectos contábeis bem diferentes do comércio tradicional, como royalties, marketing e folhas de pagamento específicas.

Antes de entrarmos direto no assunto contabilidade, vamos explicar o que torna as franquias um negócio tão peculiar e com uma exigência diferenciada do contador.

Como funciona uma franquia?

As franquias já não são uma incógnita para as pessoas. Elas estão por toda parte e são relativamente fáceis de serem identificadas. Exemplos de redes não faltam, vão desde os fastfood, como o McDonald’s, até cosméticos e produtos de beleza, a exemplo d’ O Boticário.

De maneira geral, as franquias são empresas que adquiriram o direito de utilizar a marca de outra, normalmente já estabelecida no mercado, e de comercializar seus produtos. Há um padrão no modelo de negócios em todas as franquias da mesma rede, que vai desde as cores do estabelecimento ao atendimento, passando pela forma com que os produtos são apresentados.

Desse modo, a diferença principal entre uma filial e uma franquia é que enquanto a primeira apesar de possuir uma direção própria, é subordinada e dependente de uma matriz, a outra toma as decisões por conta própria, apesar de responder ao franqueador.

Mas é no setor financeiro que a diferença é maior. Filial e matriz seguem juntas no que diz respeito ao investimento, aos lucros e às despesas. Tudo é compartilhado. Já a franquia é mais independente e arca com tudo sozinha.

Por fim, há aspectos da relação entre franqueador (empesa detentora da marca ou patente) e franqueado (empresa que adquire o direito de utilizar a marca ou patente) que interferem diretamente na contabilidade. São eles:

Taxa de franquia: valor inicial e único no momento em que o contrato é fechado. É basicamente um pagamento que o franqueado faz para aderir ao sistema de franquias. Há franqueadores que podem cobrar a taxa novamente no momento da renovação do contrato.

Royalty: valor periódico que o franqueado deve pagar ao franqueador pelo uso da marca. Normalmente, é um percentual sobre o faturamento bruto.

Fundo de propaganda ou fundo de promoção: composto pelas taxas pagas por franqueados e também pelas unidades próprias do franqueadores para custear as ações de marketing, que beneficiam toda a rede.

Sabendo dessas especificidades, fica mais fácil pensar em um plano contábil e financeiro para a franquia. Então, vamos aos principais aspectos da rotina contábil específicos de franquias!

A contabilidade em franquias

Há tantos aspectos que envolvem a contabilidade para franquias que existe uma lei específica que regulamenta esse tipo de negócio e a relação entre franqueado e franqueador. Um dos principais pontos da Lei Nº8.955, de 1994 é a exigência de que o franqueador entregue ao interessado na franquia a Circular de Oferta de Franquia.

Este documento é entregue antes da assinatura do pré-contrato para que o candidato a franqueado fique ciente de tudo o que lhe será exigido, além de balanços e demonstrações financeiras da empresa franqueadora dos últimos dois anos. Conhecer profundamente este documento é importante para que o contador saiba o contexto no qual a empresa está inserida.

Contabilização de franquias

As formas de contabilização de franquias dependem exatamente do que está previsto no contrato. Caso a franquia for adquirida por prazo indeterminado, a compra entra como investimento no ativo permanente da empresa. Se for uma franquia a prazo, a contabilização é feita no passivo circulante ou exigível de longo prazo.

Valorização de franquias

O valor do investimento na franquia deve ser atualizado e, caso o valor de mercado seja superior ao valor contábil após a atualização monetária, deve haver uma reavaliação. No caso de franquia comprada por preço determinado, é possível escolher se o pagamento do saldo será realizado de uma só vez ou em parcelas.

Participação nos lucros

Nas franquias por prazo indeterminado, a participação nos lucros ou no faturamento mensal é contabilizada em um subgrupo do ativo permanente. Já no caso de prazos determinados, o valor inicial pago deve ser lançado no ativo imobilizado, com depreciação ao longo do tempo de vigência.

Imposto de renda

As franquias que possuem um faturamento abaixo de R$3,6 milhões se enquadram nos tributos do Simples Nacional, que recolhem os impostos de maneira unificada. Para as que não se enquadram, são cobrados os seguintes impostos: IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano); CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido); COFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social); IRPJ (Imposto de Renda de Pessoa Jurídica); PIS (Programa de Integração Social); ISS (Imposto Sobre Serviços) ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Prestação de Serviços).

Vantagens da contabilidade para franquias

É perceptível que as franquias exigem mais de um contador do que as empresas no geral costumam exigir. Por isso, o franqueado deve investir em um profissional ou empresa de confiança para manter a saúde financeira do negócio. Um bom planejamento contábil impacta diretamente no sucesso dos negócios. Dentre as vantagens, estão:

Evita multas: o planejamento fiscal e tributário evita problemas com o fisco, que não representam impactos negativos apenas financeiros, devido às multas, mas interferem na própria credibilidade da empresa.

Auxilia na tomada de decisão: os relatórios e informações levantadas pelo contador subsidiam as decisões de gestão da empresa, que podem determinar sua sobrevivência no mercado.

Permite o acompanhamento de franqueados e investidores: apesar de ter certa independência, a franquia não pode ser vista como um negócio individual. As unidades de toda a rede interferem na imagem uma das outras e o contador pode ajudar a monitorá-las.

Mostra a evolução dos negócios: os dados gerados pela contabilidade são os principais indicadores de como andam os negócios e de como a empresa se posiciona diante do mercado. É possível avaliar os lucros, os prejuízos e se há um equilíbrio e regularidade.

Conclusão

A demanda por uma contabilidade específica para franquias é algo perceptível, não é mesmo? A complexidade burocrática exige que o profissional tenha conhecimentos específicos para que a empresa possa seguir bem financeiramente. Profissionais e escritórios de contabilidade eficientes são fundamentais para auxiliar empreendedores na gestão dos negócios.

 

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